Bruna Marquezine - que, aliás, entregou nove looks em menos de cinco dias - se junta a grandes nomes do cinema e da teledramaturgia brasileira em “Velhos Bandidos”, nova comédia policial protagonizada por ninguém menos que Fernanda Montenegro e Ary Fontoura. O longa estreia nesta quinta-feira (26), mas o Purepeople Brasil assistiu antes, com exclusividade, e reúne os principais acertos e tropeços da produção. Spoiler: funciona muito mais do que erra!
Dirigido por Cláudio Torres (de “O Homem do Futuro” e “A Mulher Invisível”), o filme acompanha os aposentados Marta (Montenegro) e Rodolfo (Fontoura), que decidem assaltar um banco. Para colocar o plano em prática, a dupla recruta dois aliados nada convencionais: Nancy (Marquezine) e Sid (Vladimir Brichta). Assim nasce uma gangue improvável, em meio a situações hilárias, algumas doses de drama e, claro, nem tudo funcionando perfeitamente. Aos detalhes (sem spoilers)!
Apesar de ser, majoritariamente, uma comédia de ação, “Velhos Bandidos” surpreende ao inserir um núcleo dramático na medida certa. O investigador Oswaldo, vivido por Lázaro Ramos, carrega um baita dilema emocional envolvendo sua filha (Mary Sheila), que dá uma camada extra à narrativa!
Por trás da obsessão em capturar os criminosos, existe uma motivação pessoal que toca o público sem apelar. E pode preparar: é o tipo de arco que pede lencinho, mas sem exageros... O roteiro não força emoção e mantém o tom equilibrado do início ao fim! Há ainda um plot twist envolvendo Rodolfo que amplia a dimensão do amor de Marta e o quanto ela está disposta a ir para viver ao lado do marido.
Fernanda Montenegro, aos 96 anos, e Ary Fontoura, aos 93, são a prova viva de que idade está longe de ser sinônimo de limitação. E não estão sozinhos: o elenco reúne nomes como Vera Fischer, Nathalia Timberg, Reginaldo Faria, Tony Tornado e Teca Pereira - todos entregando presença, timing e, principalmente, carisma!
O resultado é um verdadeiro “banho” em qualquer ideia de etarismo, com performances que sustentam boa parte do humor do filme.
Como já é característico do trabalho de Cláudio Torres, o longa aposta em uma direção visualmente envolvente. A fotografia acompanha o tom da narrativa - ora mais leve, ora mais intensa - e contribui diretamente para o impacto das cenas!
Há um cuidado evidente na construção estética, com enquadramentos que dialogam com o exagero e a ironia do roteiro. Para quem presta atenção no conjunto da obra, é um prato cheio. Fica a dica aos cinéfilos de plantão!
Se existia alguma expectativa de ver Bruna Marquezine escorregar no exagero, pode esquecer. A atriz entrega uma Nancy distante de seus trabalhos anteriores, com um timing de comédia preciso e boas doses de dramaticidade. Há, inclusive, uma cena específica em que a personagem se emociona que facilmente puxa o público junto!
Já Fernanda Montenegro e Ary Fontoura fazem exatamente o que se espera... e um pouco mais. A química entre os dois rende alguns dos momentos mais divertidos do filme, e funciona igualmente bem nas interações com Marquezine e Vladimir Brichta, que adiciona um “desespero” essencial ao seu personagem!
Por fim, Lázaro Ramos sustenta um detetive convincente, com camadas que justificam suas motivações ao longo da trama.
Mesmo com seus 90 minutos ágeis, cheios de ação, humor e emoção, o filme escorrega em um ponto importante: a dificuldade de se entregar completamente ao próprio tom.
A proposta uma comédia policial com pitadas de absurdo, ironia e até non-sense. Em alguns momentos, o longa flerta com esse exagero mais escrachado, que remete tanto a "Todo Mundo em Pânico" quanto ao cult brasileiro "Saneamento Básico: O Filme".
Mas, ao longo da narrativa, essa “estranheza” vai sendo suavizada. Não é que o filme deixe de ser engraçado - longe disso! -, mas fica a sensação de que poderia ir ainda mais fundo no absurdo e assumir de vez esse lado.
Ainda assim, é mais uma questão de escolha criativa do que um problema estrutural. No saldo final, “Velhos Bandidos” acerta - e bastante!
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